julho, 2009

Wagner Moura em Hamlet ou Hamlet com Wagner Moura?

jul 21, 2009   //   by paraphernalia   //   Teatro  //  No Comments

hamlet

Domingo foi a última de 2 apresentações de Hamlet em Curitiba. Dirigida por Aderbal Freire-Filho e com Wagner Moura, no papel de Hamlet, a peça mostra uma (re)leitura do texto de Shakespeare. A peça é contada como se fosse uma companhia de teatro contando a história. Os atores permanecem o tempo todo no palco “assistindo” as cenas. Uma maneira diferente de encenar um texto que já foi tantas vezes montado. Atuações excelentes, detalhe para Tonico Pereira que estava bem no papel de Cláudio. Wagner Moura, como era de se esperar, dominou o palco do início ao fim.

A peça é longa, mas o que fazer? O texto também é.

A trilha aumenta as sensações da cena, o que ficou muito interessante. Parecida com as trilhas de cinema, mas pensada para teatro. Infelizmente a acústica do teatro não é das melhores, ele foi projetado para o som não invadir a plateia, o que dá uma sensação de distanciamento. (Teatro Positivo) Vale lembrar que a trilha foi composta por Rodrigo Arantes, atual Little Joy.

Utilizaram projeção de uma maneira interessante. Fora a tecnologia, que é um capítulo a parte (transmissão wireless, com uma câmera de alta definição), a projeção tinha uma função de vouyer. Quando não era a plateia que a utilizava para melhor acompanhar alguns detalhes, eram os próprios personagens que a usavam em um sentido de onipresença.

Em resumo, a peça cumpriu seu propósito. O único ponto contra, é a sensação de que quem não conhecia Hamlet, saiu sem conhecer muito bem. Mas, acho eu, um problema cultural(?).

ps.: Para conseguir o programa era necessário desembolsar uma quantia $.  Um “pequeno” absurdo para uma produção que recebeu verba via lei de incentivo.

Som e Fúria | Primeiras impressões

jul 9, 2009   //   by paraphernalia   //   Cultura em geral  //  1 Comment

somefuria

Na terça-feira começou a nova minissérie da globo. Uma adaptação da série canadense Slings and Arrows que conta a história de um grupo de teatro e as dificuldades na hora de produzir uma montagem.

Não creio que esse seja o foco do enredo, mas uma questão que vale a pena ser notada é como a relação se torna mesquinha quando entramos em uma situação de incentivo governamental. Situação essa, que o próprio Fernando Meirelles, usa e abusa. Talvez, essa mesquinharia seja um problema nacional, mas que pode ter saído um pouco pela culatra na exibição da série. Enfim, como já dito, provavelmente esse não é o foco da série.

Voltemos as ironias mais explícitas. A série é boa, mostra uma relação meio utópica numa montagem teatral, mas que não deixa de ser boa e agradável. Todos compram a ideia e entram no enredo.

O crítico teatral se chama Bárbaro. Aqui duas questões, a primeira, mais explícita, sobre a barbárie dos críticos e a segunda, com relação a maior crítica e tradutora de Shakespeare, se chamar Bárbara Heliodora.

Dante é o nome do diretor artístico que assume no lugar de Lourenço Oliveira, que morre.  Primeiro, Dante é uma referência clara a Divina Comédia e o Inferno de Dante. Lourenço Oliveira morre atropelado por um caminhão de presunto e faz referência ao ator Laurence Olivier, famoso por suas atuações em textos de Shakespeare.

O que ficou um pouco forçado, e até em certo nível, de mau gosto, foram as piadas com Gerald Thomas. Quem assistiu esses dois primeiros capítulos e conhece um pouco da história do Gerald, vai entender as “piadas”.

Ah! A última é que as deixas mais profundas são sempre as do porteiro.

E isso foi só os dois primeiros episódios. Que venham os próximos.

“Na minha terra, se alguém faz isso com o personagem é apedrejado em praça pública.”