novembro, 2009

Sorte. É de comer?

nov 25, 2009   //   by paraphernalia   //   Cultura em geral  //  No Comments

Trevos

Quando eu era criança, pensava que estudar muito era o suficiente para “ser alguém na vida”. Com o tempo fui descobrindo que existia algo a mais: sorte.

Perguntei: “Como faz para ter sorte? Dá pra ler e conseguir? Trabalhar e comprar? Subornar e arrancar? Enganar e roubar?”. Sorte é uma das poucas coisas na vida que ninguém pode te tirar e nem te dar.

Egocentricamente, que bom que ninguém pode me tirar. Mas e se eu não tiver?

Tá, é melhor esquecer essa história de sorte. E ficar com a questão de que lutando a gente consegue o quer. Para cada um as coisas acontecem em seu tempo. O que é teu está guardado.

Isso tudo pode parecer autoajuda, mas ninguém passa imune a sensação de que o mundo inteiro está caminhando e só você está parado. Pelo menos, eu acho.

Uma das melhores coisas da vida é observar a vida dos outros e imaginar se as pessoas sentem e passam pelas mesmas coisas que você, conhecer histórias, angústias, realizações.

Pra quem produz arte então, nem se fala. A vida é o material bruto para criação. A vida e a ficção. Muita ficção em busca de respostas e da sinceridade que a vida real muitas vezes forja.

Será isso a sorte? Ter a habilidade de realmente enxergar e sentir a vida ao seu redor?

Já Não Mais Ontem

nov 23, 2009   //   by paraphernalia   //   Cinema, Portfolio  //  No Comments

Cena de Já Não Mais Ontem

O curta Já Não Mais Ontem está participando da programação Corrente Cultural, pela MeMostra. Todos estão convidados para a exibição e o bate papo que vai rolar logo depois.

Já Não Mais Ontem
Roteiro: Fábio Miranda
Direção: Luci Orttega
Elenco: Monique Rau e Ricardo Juchem
Lançamento na Cinemateca de Curitiba
Seleção Oficial 6° Festival de Cinema de Maringá – PR
Seleção Oficial 3º Curta Cabo Frio – RJ
Seleção Mostra Cinetech 2009 – Vencedor Concurso Multicultural

Exibição em:
Data: 29 de novembro de 2009 (domingo)
Horário: 16 horas
Local: Paço da Liberdade – Sesc Paraná
Praça Generoso Marques – Centro – Curitiba/PR
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia)

Nos vemos por lá!

Dá pra desistir?

nov 11, 2009   //   by paraphernalia   //   Portfolio  //  No Comments

Dá pra desistir?

Produção: Paraphernalia
Vídeo relâmpago produzido pela Paraphernalia em 2009. 

Dexter e os discursos não ditos

nov 9, 2009   //   by paraphernalia   //   Cultura em geral  //  1 Comment

Dexter

“Será que eu sou bom, sou mau, ou sou apenas uma pessoa ruim fazendo coisas boas?” – Dexter

Quem acompanha a série Dexter já deve ter percebido que grande parte das ironias encontradas no roteiro vem de discursos não ditos do personagem. Pois bem, isso me fez refletir sobre essa medíocre vida real que vivemos e da qual somos covardes boa parte do tempo.

Explico. Assim como na série, somos colocados frente a situações que nos desagradam ou que no mínimo não estão de acordo com a nossa conduta, seja ela qual for. E o que fazemos na maioria das vezes? Nos calamos. Não no sentido real (muitas vezes recorrente), mas metafórico, quando aceitamos algo que não concordamos.

Lendo um dos textos de Contardo Calligaris, e com os últimos episódios de Dexter frescos na cabeça, essa inquietação sobre os discursos não ditos aumentou.

“Mas resta uma dúvida (que compartilho com Nietzsche, “Genealogia da Moral”, Companhia das Letras): nossa moral aparentemente generosa e a esperança de que Deus, um dia, recompense os ofendidos e puna os ofensores talvez sejam uma grande invenção coletiva, criada, justamente, para que as vítimas sejam confortadas e possam perdoar não tanto aos agressores, mas a elas mesmas, ou seja, perdoar a “covardia” da qual elas acabam se acusando, num eterno lamento por elas não terem revidado na hora.”

Revidar na hora. Logo depois do acontecido nos perguntamos:

Por que eu não falei isso? Ou aquilo? Por que eu não agi assim? Ou daquela outra forma? E assim construímos milhões de discursos perfeitos (para nós mesmos) que nunca serão ditos ou executados. Veja bem, criamos! Criamos histórias, fantasiamos numa ficção onde tudo faz sentido. Criamos algo ou alguém  maior que será o nosso vingador, já que nós não conseguimos agir por nós mesmos. Todos criamos histórias e somos roteiristas de discursos não ditos.

“Pense bem: inúmeras vezes, dias e mesmo meses a fio, depois de ter sido insultado, machucado, assaltado, empurrado real ou simbolicamente, você ficou imaginando e aprimorando, em seus detalhes, desfechos diferentes, nos quais você, na hora da ofensa, teria imediatamente resgatado sua honra e punido o agressor, deixando-o tão inerte e silencioso quanto você mesmo ainda lamenta ter ficado. Em suma, o desejo frustrado de se vingar é uma poderosa matriz narrativa, sobretudo nos devaneios privados, em nosso cinema de bolso, que fica escondido por ele ser pouco conforme com os ditados da moral dominante.”

Dito isso, voltamos ao Dexter. Além de um bom roteiro (uma fórmula, mas das boas), Dexter é o desejo de vingança realizado. É aonde, o discurso não dito, ao menos, se torna uma ação.