Masculinidade

mar 24, 2009   //   by paraphernalia   //   Cinema  //  No Comments


Fazendo referência a uma figura recorrente aqui no blog, Contardo Calligaris, alguns fatos curiosos mostram como a sociedade encara algumas coisas. Pense, leitor, em todos esses jovens assassinos que vão a lugares públicos fazer uma matança e depois se matar. Depois, pense nas relações e coincidências entre esses fatos.
Primeiro temos o fato de todos serem homens, raríssimas exceções são mulheres, e segundo, todas essas “exibições” são públicas. Lógico que tem fatos que desconhecemos e que não são noticiados, mas continuemos a análise. Todos eles precisam mostrar o quanto são homens na frente de muitas pessoas.
“Atrás da singularidade de suas razões, os atiradores parecem agir numa tentativa desesperada de se levarem a sério e de serem, enfim, levados a sério. Algo assim: “O mundo me desprezará, mas, diante de meu ato, não poderá negar que sou um “macho de respeito”” diz Contardo Calligaris em sua coluna na Folha de São Paulo. E continua “Faz décadas que a masculinidade está doente: sofre de uma incerteza aguda sobre o que a demonstraria de maneira irrefutável. As máscaras masculinas herdadas do século 19 (do provedor de paletó ao garimpeiro) não bastam mais. Qual é a nova fronteira que é preciso desbravar para “ser” homem?”.
Isso me faz lembrar do filme Milk, que deu o Oscar de melhor ator a Sean Penn, e pensar em toda essa opressão (que é menor do que na década de 60 e 70, evidentemente) mas que ainda existe. Como técnica, o filme não é algo grande, mas é algo necessário. Um filme necessário, para se (re)colocar coisas em discussão. Uma discussão que já deveria ter acabado, mas que infelizmente por preconceito e mesquinharia ainda existe. Não falo só sobre homosexuais, mas de qualquer tipo de preconceito, que já deveria ter sido exterminado. Para que não precisemos mais ver notícias de atrocidades com base preconceituosa e atrocidade de pessoas precisando provar sua masculinidade.

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