A Farsa do Festival de Curitiba
Adoraria poder dizer: “contrariando todas as expectativas, o Festival de Curitiba começa com o pé direito”. Mas não, como era o esperado, houve confusão, tumulto e falta de respeito, como ocorrem todos os anos com o público e as companhias. Muitos, talvez, nem cheguem ao final do texto, mas enfim, acho necessário.
Tudo começou na compra dos ingressos. Eles estavam sendo vendidos na bilheteria do ParkShopping Barigui e pelo Ingresso Rápido. Onde você aparentemente podia escolher entre pegar fila e não pegar. Aparentemente porque, mesmo assim, uma hora ou outra você teria que ir ao shopping para buscá-los. Mas ok, você sabe que seu ingresso tá lá, garantido, seu lugar está reservado. Balela! Não está. Nada está certinho, o Festival sempre consegue pecar, e dessa vez, somado a falta de educação das pessoas, a coisa ficou um pouco pior. No dia da apresentação, o que aconteceu é que as pessoas que compraram pela internet não tinham lugar marcado e quem comprou na bilheteria tinha. Ou seja, prato feito para a confusão.
Os “atendentes” do Festival diziam que não tinha lugar marcado pra ninguém, mas quem tinha lugar marcado queria sentar na poltrona que estava em seu ingresso. Nem um pouco de compreensão pra saber que a culpa não é de quem está no seu lugar, mas da organização do Festival. Todos compraram ingressos da mesma forma e têm os mesmos direitos. Até a Guarda Municipal foi chamada, de tão grande que foi a confusão.
(É por isso que eu digo que os políticos, nada mais são que o reflexo do povo. As pessoas são tão egoístas, egocêntricas, sem caráter, quanto um político).
O que nos faz repensar algumas coisas. Citando um exemplo, Gerald Thomas. Eu sempre o respeitei, agora começo a entendê-lo mais. É difícil querer produzir algo (seja em qualquer mídia) para pessoas que não querem receber aquilo. Que não querem que aquilo faça diferença em suas vidas. Não que eu tenha feito algo de alguma relevância. Aliás, acho que não, mas já dá pra por em cheque o tentar.
Uma coisa é certa, o Festival do jeito que é não pode continuar. Infelizmente, vai continuar. Mas não poderia. Agora falando por mim, eu não colocarei mais nada no Festival de Curitiba. Não no modelo que é. E aí vocês perguntam: “Mas e daí? Quem é você? Não vai fazer falta nenhuma. Você é um nada.” Exatamente. Um nada. Mas se todos os “nadas”, e olha que somos muitos, que vêem essa barbaridade que é o festival desse jeito, caça níquel, se juntassem e dissessem não a isso. Olha, o barulho seria grande. Mas poucos tem coragem. Os que não têm nada a perder, têm medo, imagina os que já acham que já têm alguma coisa. Mais medo ainda. O medo fala mais alto nessa hora. É mais fácil compactuar do que ter que enfrentar as consequências. Parafraseando Marcello Serpa, “princípios, só são princípios, quando não tem dinheiro envolvido”. Eu acrescentaria aí um: quando não tem que tirar a bunda da cadeira, também. Enquanto vocês, que produzem arte, não disserem não a esse tipo de coisa, isso vai sempre continuar.
Não quero que o Festival acabe, longe de mim, mas quero que acabe esse modelo. O Festival é para artistas mostrarem seus trabalhos. E não para pseudo produtores, executivos, ganharem dinheiro. Na minha opinião, que nada vale, o Festival (e digo aqui a cúpula intocável, não os artistas, acho que os artistas deveriam ser remunerados sim!), o festival só poderia pensar em ganhar dinheiro depois que aprendesse a produzir um festival. Que eles sabem ganhar dinheiro eu já vi, mas e fazer um festival dar certo?
A ideia agora, era tecer mais algumas linhas sobre o comportamento primata dos seres humanos, mas falta vontade. Disposição. Eu procuro nunca esperar nada de ninguém. Mas mesmo assim dá pra se decepcionar. E chego ao fim do texto já pensando “ah, foda-se, deixa essa galera se foder e achar que tá fazendo, ou que é, alguma coisa”.
Fábio Miranda
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ola gostaria de dizer que concordo com você Fábio. Me chamo Edna e faço parte do Grupo Coletivo Joaquina aqui de Curitiba e estamos com 5 peças no Festival. Tivemos vários inconvenientes com a organização ao longo do festival e a última aconteceu hoje! Estamos com uma peça de rua chamada o Grande Mentecapto e estávamos agendadas para apresentar hoje meio dia na praça Osório. Como estava chovendo ligamos para o festival para ver o que seria feito, nos avisaram que iriamos apresentar as 14:00 no Memorial. A nossa Companhia não podia porque estamos com um outro espetáculo as 16:00 horas, por isso resolvemos ir para Osório mesmo, pois como artistas de rua respeitamos muito o nosso público e nossos compromissos! Chegando na Osório qual não foi nossa surpresa quando havia um palco montado com um show de música, muita gente na rua e ninguém do Festival para nos ajudar… Pensando no público andamos pela Rua XV e apresentamos em um dos lugares para frente. O público generoso, debaixo de chuva, ficou até o fim do espetáculo. Depois da apresentação resolvemos ir até o Memorial para saber o que tinha acontecido e porque ninguém estava lá para nos ajudar ou para orientar o público. Responderam que a produtora não poderia ir embaixo de chuva! affffff! e o público? pode ser feito de idiota? e nos artistas também ? Para nós a chuva não era problema?
Estou escrevendo aqui meu protesto e informando que amanhã ao meio dia estaremos na Praça Osório, faça chuva ou faça sol, porque as pessoas precisam saber o que realmente acontece no festival! Não podemos ter medo de falar! E se você puder ir ou chamar mais colegas! O espetáculo tem que continuar !