Dexter e os discursos não ditos

“Será que eu sou bom, sou mau, ou sou apenas uma pessoa ruim fazendo coisas boas?” – Dexter
Quem acompanha a série Dexter já deve ter percebido que grande parte das ironias encontradas no roteiro vem de discursos não ditos do personagem. Pois bem, isso me fez refletir sobre essa medíocre vida real que vivemos e da qual somos covardes boa parte do tempo.
Explico. Assim como na série, somos colocados frente a situações que nos desagradam ou que no mínimo não estão de acordo com a nossa conduta, seja ela qual for. E o que fazemos na maioria das vezes? Nos calamos. Não no sentido real (muitas vezes recorrente), mas metafórico, quando aceitamos algo que não concordamos.
Lendo um dos textos de Contardo Calligaris, e com os últimos episódios de Dexter frescos na cabeça, essa inquietação sobre os discursos não ditos aumentou.
“Mas resta uma dúvida (que compartilho com Nietzsche, “Genealogia da Moral”, Companhia das Letras): nossa moral aparentemente generosa e a esperança de que Deus, um dia, recompense os ofendidos e puna os ofensores talvez sejam uma grande invenção coletiva, criada, justamente, para que as vítimas sejam confortadas e possam perdoar não tanto aos agressores, mas a elas mesmas, ou seja, perdoar a “covardia” da qual elas acabam se acusando, num eterno lamento por elas não terem revidado na hora.”
Revidar na hora. Logo depois do acontecido nos perguntamos:
Por que eu não falei isso? Ou aquilo? Por que eu não agi assim? Ou daquela outra forma? E assim construímos milhões de discursos perfeitos (para nós mesmos) que nunca serão ditos ou executados. Veja bem, criamos! Criamos histórias, fantasiamos numa ficção onde tudo faz sentido. Criamos algo ou alguém maior que será o nosso vingador, já que nós não conseguimos agir por nós mesmos. Todos criamos histórias e somos roteiristas de discursos não ditos.
“Pense bem: inúmeras vezes, dias e mesmo meses a fio, depois de ter sido insultado, machucado, assaltado, empurrado real ou simbolicamente, você ficou imaginando e aprimorando, em seus detalhes, desfechos diferentes, nos quais você, na hora da ofensa, teria imediatamente resgatado sua honra e punido o agressor, deixando-o tão inerte e silencioso quanto você mesmo ainda lamenta ter ficado. Em suma, o desejo frustrado de se vingar é uma poderosa matriz narrativa, sobretudo nos devaneios privados, em nosso cinema de bolso, que fica escondido por ele ser pouco conforme com os ditados da moral dominante.”
Dito isso, voltamos ao Dexter. Além de um bom roteiro (uma fórmula, mas das boas), Dexter é o desejo de vingança realizado. É aonde, o discurso não dito, ao menos, se torna uma ação.
Vale-cultura

Pra quem tem ouvido falar no Vale-cultura, mas não sabe ao certo do que se trata, segue abaixo um rápido resumo. Tire suas conclusões e faça suas apostas.
O que é?
Todo mês, trabalhadores que ganham até 5 salários mínimos (até R$ 2.325), terão direito a um Vale-cultura, no valor de R$ 50,00, em forma de cartão magnético. É semelhante a um vale alimentação.
O vale poderá ser usado para ingressos de teatro, cinema, espetáculos de música e dança, para a compra de CDs, DVDs, revistas e livros. Terá o caráter pessoal e intransferível e será válido em todo território nacional.
Totalmente gratuito?
Não. Será descontado do salário do trabalhador, em média 10% do valor do vale, ou seja, R$ 5,00 por mês.
O desconto na folha para ter direito ao vale será opcional.
Quem pagará o resto?
Cerca de 50% do valor será de responsabilidade da empresa, que poderá descontar do imposto de renda. O restante fica por conta do governo federal.
Quando entrará em vigor?
O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados. Agora será votado no Senado e depois precisa ser sancionado pelo presidente.
A previsão do Ministério da Cultura é de que a partir de janeiro de 2010, o vale esteja funcionando em todo o Brasil.
“Anteriormente, o investimento era apenas na produção. Com o Vale-cultura, muda-se o foco. Valoriza-se o consumo, o que, indiretamente, também vai beneficiar a produção”, diz Alfredo Manevy (Secretário executivo do Minc).
“É absolutamente previsível que o dinheiro público, tão escasso num país pobre e deseducado, vai acabar patrocinando shows e eventos populares, mas sem conteúdo educativo ” diz Gilberto Dimenstein (Folha de São Paulo).
Ouça aqui a opinião do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, sobre o Vale-cultura, em uma entrevista concedida à rádio Band SP.
Floripa: sol, praia e cultura.
Floripa é um destino famoso por suas belas paisagens. Mas o que poucos procuram é um pouco de cultura nos seus momentos de lazer. Exemplo: poucas pessoas tiram real proveito de uma conversa entre amigos no bar. E outra, poucas pessoas acham natural uma conversa inteligente no bar. Talvez no auge da contracultura, na década de 60, isso fosse mais natural, mas bom, esse não é o foco (pelo menos aparentemente) desse post.
Fomos pra Floripa. Só que dessa vez tivemos uma nova visão sobre a ilha. Com a assessoria de guias locais, aprendemos um pouco sobre a história da região, o significado dos nomes, das estátuas, das inscrições rupestres, dos costumes, uma cultura riquíssima. Uma breve experiência que serve para reiterar aquela velha premissa de que “viajar é cultura”. E presenciar uma cultura é bem mais intenso do que ler ou ouvir falar.
Visitar, por exemplo, a praia do Campeche e sentir vontade de (re) ler O Pequeno Príncipe pode parecer estranho num primeiro momento, mas é uma sensação que passa rápido ao saber que Antoine de Saint-Exupéry (autor do livro), vulgo, Zéperri, utilizava a praia como ponto de pouso e decolagem. E que o nome da praia (pelo menos na “mitologia” manezinha) se deve ao fato de que ele chamava a região de Champ Peche (algo como um Campo de Pesca, Campo de Peixe, em português).
Ou saber, também, que a Praia da Armação, recebeu esse nome, justamente, por servir de armadilha para baleias. Era ali que os pescadores pegavam as baleias e depois levavam para a Praia do Matadeiro, adivinha pra quê?
Bom, isso foi só uma pitadinha do que a ilha pode oferecer como história. Logo abaixo seguem fotos de algumas das praias que visitamos, pra quem já foi relembrar e pra quem não foi se programar.
Ah, e analise com mais calma o nome Florianópolis e descubra a sua origem. É fácil, só pensar um pouquinho.
Praia da Armação.
Praia da Armação.
Lagoa da Conceição.
Lagoa da Conceição.
Praia de Canasvieiras e o barco Pirata.
Praia do Santinho.
Praia do Pântano do Sul.
Praia da Joaquina.
Som e Fúria | Primeiras impressões

Na terça-feira começou a nova minissérie da globo. Uma adaptação da série canadense Slings and Arrows que conta a história de um grupo de teatro e as dificuldades na hora de produzir uma montagem.
Não creio que esse seja o foco do enredo, mas uma questão que vale a pena ser notada é como a relação se torna mesquinha quando entramos em uma situação de incentivo governamental. Situação essa, que o próprio Fernando Meirelles, usa e abusa. Talvez, essa mesquinharia seja um problema nacional, mas que pode ter saído um pouco pela culatra na exibição da série. Enfim, como já dito, provavelmente esse não é o foco da série.
Voltemos as ironias mais explícitas. A série é boa, mostra uma relação meio utópica numa montagem teatral, mas que não deixa de ser boa e agradável. Todos compram a ideia e entram no enredo.
O crítico teatral se chama Bárbaro. Aqui duas questões, a primeira, mais explícita, sobre a barbárie dos críticos e a segunda, com relação a maior crítica e tradutora de Shakespeare, se chamar Bárbara Heliodora.
Dante é o nome do diretor artístico que assume no lugar de Lourenço Oliveira, que morre. Primeiro, Dante é uma referência clara a Divina Comédia e o Inferno de Dante. Lourenço Oliveira morre atropelado por um caminhão de presunto e faz referência ao ator Laurence Olivier, famoso por suas atuações em textos de Shakespeare.
O que ficou um pouco forçado, e até em certo nível, de mau gosto, foram as piadas com Gerald Thomas. Quem assistiu esses dois primeiros capítulos e conhece um pouco da história do Gerald, vai entender as “piadas”.
Ah! A última é que as deixas mais profundas são sempre as do porteiro.
E isso foi só os dois primeiros episódios. Que venham os próximos.
“Na minha terra, se alguém faz isso com o personagem é apedrejado em praça pública.”
Anjos e Demônios

Na publicidade existe o seguinte dilema: a propaganda boa é aquela que vende mais ou a que ganha prêmios?
Anjos e Demônios, baseado no livro de Dan Brown, também enfrenta esse dilema. É um filme que não tem nada de mais, que faz uma mistura de significados, mas funciona perfeitamente. É como dizer que Dan Brown sabe fazer um ‘arroz com feijão’ muito bem. Não há ousadia e nem elementos que façam do filme um paradigma (apesar de lidar com temas relacionados a fanatismos em nossa sociedade). Ou seja, não ganharia prêmios nos mais conceituados festivais.
Por outro lado, ele funciona de maneira satisfatória para o que se proprõe. Ele é isso e pronto.
Dan Brown é um cara muito inteligente, sabe muito bem o que está falando e a misturada que faz com tudo que sabe. Sabe que isso funciona.
Exemplo 1.: Qual é a porcentagem dessa população que se diz católica, que sabe por exemplo, quem assume, temporariamente, o posto de Papa, quando esse morre?
Exemplo 2.: Qual é a porcentagem dessa população que se diz viver na Era da Informação, sabe que não existe nenhuma ordem conspiratória denominada Illuminti, e sim, que Illuminatus é um grau que se obtem em qualquer ordem oculta, ou discreta, como algumas se denominam, depois de alguns anos de estudo?
É, Dan Brown sabe, e soube também misturar tudo. Pegou milhares de anos de história e simbologia, inventou algumas coisas e fez tudo se encaixar de uma maneira didática (infantil seria a palavra ideal, mas possivelmente seria entendida de maneira pejorativa) e fez todo mundo entender e sair de uma leitura (ou uma sala de cinema) achando que aprendeu algo.
Na sequência, pra explicar um pouco da confusão que Dan Brown faz, alguns siginificados descritos por Marcelo Del Debbio, que escreve pra coluna Teoria da Conspiração do blog Sedentário e Hiperativo.
A Origem do Nome
O termo “Illuminati” ficou famoso por causa da loja de estudos fundada pelos professores Adam Weishaupt e Adolph Von Knigge em 1º de Maio de 1776, mas as origens deste termo são muito mais antigas e muito mais simples do que parecem.
Illuminati vem de “Iluminados”, ou seja, qualquer sacerdote ou estudioso que atingiu determinada posição dentro do Templo que permitiu a ele dispor de segredos iniciáticos até então desconhecidos aos graus inferiores.
O termo vem da correlação com o SOL. O centro do Templo, o Deus de nossos próprios corações. Simbolicamente denominado Tiferet, na Kabbalah; o grau de consciência no qual todos os quatro elementos estão dominados e o Adepto prossegue para a Câmara do Meio.
O grau de Illuminatus é um dos mais altos graus de diversas Ordens Esotéricas; o equivalente à “Faixa Preta” nas artes marciais… mas isso é tudo o que Illuminatus significa: alguém que deteve os conhecimentos de grau daquela Ordem, nada mais.
Achar que os “Illuminati” estão todos operando em uníssono para a dominação do mundo é tão ingênuo quanto achar que todos os “faixas-pretas” do mundo lutam e aprovam o mesmo estilo de combate.
A Estrutura dos Illuminati
A maioria dos graus ligados à Rosacruz ou aos gnósticos trabalha com graus baseados nas Emanações da Árvore da Vida. Esta estrutura foi desenvolvida inicialmente nos Templos de Toth/Hermes, mas contava apenas com sete graus, baseados nos Planetas Alquímicos (Lunae, Mercure, Veneris, Martis, Jovis, Saturni e Solis), sendo Solis o mais avançado. Cada grau possuía um Kamea (Quadrado Mágico) correspondente. Mais tarde os Pitagóricos finalizariam a estrutura para conter 10 esferas numeradas, como conhecemos hoje em dia.
Da relação do Sol com a iluminação tanto exotérica quanto esotérica, chamavam-se estes Mestres de “Mestres Iluminados”. O número 666 era atribuído a estes Mestres.
666? Mas não é o número do capeta?
Não… a origem do 666 é muito mais simples e prosaica; vem dos Kameas de cada um dos sete graus iniciáticos das Escolas de Toth.
Um Kamea é um “quadrado mágico” contendo os números e nomes (da conversão numérica para o alfabeto hebraico) divinos que servem como janelas para entender a natureza do ser humano e como ela interage com o macrocosmos.
E existem Illuminatis malvados, afinal?
Claro que existem!!! Da mesma maneira que você não tem como impedir que lutadores de jiu-jitsu faixa preta saiam pela rua batendo em mendigos, você também não tem como impedir que pessoas que tenham chegado aos últimos graus de conhecimento nas Ordens Esotéricas fundem suas próprias ordens. Basta ver que a Thulegesselshaft (que mais tarde seria a base de toda a estrutura nazista), a Ordem dos Nove Ângulos, a Igreja de Satã, o Scroll and Key, a Centúria Dourada, os Acumuladores e muitas outras ordens tidas como “fraternidades negras” tiveram entre seus fundadores pessoas que um dia obtiveram graus iniciáticos semelhantes aos dos Illuminati.
Para mais informações, e o texto completo acesse Sedentário e Hiperativo.
Apple e Twitter

O twitter é uma ferramenta que está muito em evidência, mas ainda ninguém sabe exatamente como usar, pra que usar, quando usar. Todos estão testando e inventando (e é isso mesmo que é para fazer), assim como toda essa questão da web 2.0 (que todos estamos testando e vendo onde vai dar). O twitter nasceu em 2006, ou seja, cerca de 3 anos de existência, e foi fundado por Jack Dorsey. Nos últimos meses alcançou impressionantes níveis de crescimento, mas ao mesmo tempo baixo índice de retenção de usuários. Cerca de 40% das pessoas que entram no twitter continuam depois de 1 mês de uso.
O fato é que, sempre que surge um boom desses relacionado a internet, chove empresas querendo comprar. Mas poucas vezes a Apple quis adquirir uma dessas ferramentas. O que muitos se perguntam é o porquê do interesse. O que será que Steve Jobs está pensando? Será que o novo iPhone vai ter mais novidades do que se imagina? Perguntas que ficam no ar.
Só para constar, leitor, não existe ainda nenhuma confirmação da proposta e o valor que tem se falado é US$ 700 milhões, sendo que o twitter é avaliado em US$250 milhões.
Link da notícia da Folha .
7

Há uns dias, foi ao ar um post falando da sexta-feira 13 e da relação do número 13. Hoje, aproveitando esse espírito de teoria da conspiração, vamos falar do 7.
Por que o 7? Não sei.
São 7 os pecados capitais, 7 dias na semana, 7 maravilhas do mundo, 7 cores no arco-íris, 7 vidas do gato, 7 notas musicais, 7 níveis no inferno de Dante (Divina Comédia) e são 7 (pra quem assiste Dragon Ball) as esferas do dragão. Aqui vale um adendo de que as esferas do dragão correspondem, na cultura ocidental, as 7 gemas que formam a espada mágica de Gilgamesh. Gilgamesh foi o Rei de Uruk, na mesopotâmia (para mais informações de Gilgamesh clique aqui).
O fato é que o 7 é um número muito utilizado por aí. Não que a ironia valha, mas o 7° mandamento é o “Não Adulterarás”.
Pitágoras, que foi iniciado pelos egípicios (uma espécie de seita), dizia algo de que a essência do mundo são os números. E o engraçado é que, em Menfis, no Egito, os passos do iniciante são os das 7 virtudes morais.
Aproveintando o gancho de Pitágoras, prepare-se para ler, caso não saiba, de algo que não ensinam na escola. Pitágoras era um cara muito sabichão, umas espécie de político da época, que trabalhava seu lado social de maneira muito eficaz. Cotrona, onde vivia na época, era uma cidade considerada uma das mais devassas, ou seja, regras hierarquicas ou coisas do tipos não eram muito respeitadas. Como havia sido iniciado, inclusive sua iniciação durou muitos anos, e foi educado em normas rígidas, achava tudo aquilo muito estranho e começou a pregar e a cativar outros jovens (homens) a se afastarem daquela vida, digamos como já citado, devassa. Como começou a ter muitos seguidores, e com isso também, muitos inimigos, ele resolveu criar o Instituto Pitagórico para proteger os seus seguidores.
Durante séculos os ensinamentos pitagóricos foram sendo transmitidos através de confrarias e sociedades secretas, entre elas, a célebre Ordem Pitagórica que existe até hoje funcionando de forma oculta, com caráter rígido de seleção e mantendo um sistema iniciático bem rigoroso. É uma dessas ordens secretas em que não se chega à ela diretamente, mas somente por indicação de outras ordens preliminares.
Fazendo um outro gancho (e essa é a magia da internet, links e mais links) com a questão do que não se ensina na escola, segue abaixo 2 vídeos de uma palestra do TED. TED (Technology, Entertainment and Design), pra quem não conhece, é uma conferência anual que apresenta várias palestras sobre as últimas tendências em todas as áreas.
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